Pão dos pobres (História e devoção/ação)

A história do “Pão de santo António” remonta a um facto curioso que nos é assim narrado: “António comovia-se tanto com a pobreza que, certa vez, distribuiu aos pobres todos os pão do convento em que viva. O frade padeiro ficou em apuros, quando, na hora da refeição, percebeu que os frades não tinham que comer: “os pães tinham sido roubados”.
Atónito, foi contar ao santo o ocorrido. Este mandou que verificasse melhor o lugar em que os tinha deixado. O irmão padeiro voltou estupefacto e alegre: os cestos transbordavam de pão, tantos que foram distribuídos aos frades e aos pobres que visitavam o convento.
A partir de acontecimentos como este, espalhou-se por todo o mundo, o costume de colocar nas igrejas uma caixa para esmolas do “Pão dos pobres”.
Outro facto acontecimento nos remonta para a origem desta devoção solidária.
Ainda se trabalhava na construção da Basílica de Santo António em Pádua quando, bem perto, uma criança caiu à água e se afogou. A mãe, aflitíssima, recorreu a Santo António pedindo-lhe que ressuscitasse o seu filho, e prometeu dar, a um determinado número de pobres, certa quantidade de trigo equivalente ao peso do menino.
A sua oração foi ouvida, o menino reviveu, e ela cumpriu a sua promessa. Ao longo dos séculos apareceu um outro caso idêntico mas o que marcou mais profundamente, teve lugar em Toulon, narrado por Luísa Bouffier: certa manhã, doze de Março de 1890, quando ia abrir a sua loja, a fechadura de segredo, partiu enão conseguiu abrir a porta. Chamou um serralheiro que, depois de muitas tentativas, infrutíferas, resolveu ir buscar ferramenta para a arrombar. Entretanto, por inspiração divina, Luísa prometeu dar pão aos pobres se com a nova experiência conseguisse abrir a porta da sua loja. Voltou a serralheiro e à primeira tentativa, sem dificuldade alguma, logo a abriu, deixando todos em estupefação geral atribuindo tal feito a Santo António. A notícia espalhou-se por toda a França, Bélgica, Itália, Alemanha, até ao Brasil e outros continentes.
Reconhecida, Luísa Bouffier, colocou uma imagem do Santo na sua loja e uma caixa onde recolhia esmolas para, com elas, comprar pão para os pobres. Também as igrejas começaram a fazer outro tanto, costume e devoção que ser mantém até aos nossos dias.
A Portugal chegou também esse piedoso gesto do “PÃO DOS POBRES DE SANTO ANTÓNIO”.
Segundo descreve Frei António de Sousa Araújo, franciscano, no Almanaque de Santo António do ano 1995, páginas 240-244, o Pão dos Pobres de Santo António é uma obra que surgiu (em Portugal) pelo ano 1895, aquando do sétimo centenário do Santo.
Frei João da Santíssima Trindade e Sousa, Franciscano do convento de Montariol (Braga), sabendo do milagre ocorrido em França e da Obra do Pão de Santo António, teve a ideia de a introduzir também em Portugal. Os seus superiores, não acolheram bem a ideia, alegando uma série de dificuldades e temendo alguns escândalos. Frei João recorre então ao apoio da Mesa da Venerável Ordem Terceira de Braga que, da mesma forma, se recusou a apoiar esta iniciativa.
Frei João não desistiu da ideia até que, finalmente, recebeu a tão desejada autorização para estabelecer a Obra do Pão de Santo António na Igreja dos Terceiros de Braga. Nesta Igreja, a 25 de Março de 1895, foram colocados dois cofres: um com o objetivo de recolher os pedidos e preces dos devotos, e o outro para recolher as ofertas ou esmolas, incluindo a menção das graças recebidas.
A 16 de Abril do mesmo ano, fez-se a primeira abertura do cofre das esmolas. Todos se encheram de espanto perante a quantia de 36 mil réis, considerada extraordinária ao tempo, uma vez que ultrapassava as "esmolas" até aí recolhidas nos Santuários do Bom Jesus do Monte e Nossa Senhora do Sameiro, da mesma cidade de Braga.
A 28 de Abril, pela primeira vez em Portugal, se realiza a distribuição do Pão de Santo António a cerca de 380 pobres, que afluíram à Igreja dos Terceiros (Braga), onde se encontrava o altar com a imagem de Santo António. Conta-se que a quantidade de pão era tão grande que satisfez o número de pobres ali presentes, e muitos sobejaram e foram entregues aos presos da cadeia de Braga e ainda a dois institutos de beneficência.
No mês seguinte repete-se este ato solidário com um excesso de 430 broas de milho e 430 pães de trigo. O número de pobres aumentara, com cerca de 500 em Julho e 750 em Agosto. Desta forma, a obra do pão de Santo António, estendeu-se a outras localidades de Portugal chegando ao Brasil onde S. António, tinha o soldo de tenente-coronel no exército. Na cidade da baía, esse ordenado, era aplicado nas despesas do culto ao Santo e na comida que se distribuía todos os dias aos pobres na portaria do Convento de S. Francisco. Esta obra tão nobre da solidariedade e do espírito franciscano e antoniano ainda hoje continua a realizar-se em Portugal e em muitos países. 
PÃO DOS POBRES NA NOSSA IGREJA: Crê-se que esta devoção tem início, aqui na nossa Igreja, local onde o Santos nasceu, por volta de 1920 aquando da abertura da Igreja e vinda dos Franciscanos para cá.
Junto ao quadro milagroso do Santo, do lado esquerdo de quem entra, uma caixa das esmolas antiquíssima, com uma pintura de S. António, ali permanece recordando aos fiéis e peregrinos o dever de ajudar os irmãos mais desfavorecidos, podendo aí deixar o seu contributo para o Pão dos Pobres de Santo António
No dia do santo, 13 de Junho, distribui-se aos fiéis por um preço simbólico, pequenos pães benzidos na Eucaristia, assim como os cravos, durante todo o dia como forma de ajudar e a prover as necessidades dos pobres que a nós recorrem, bem como apoio monetário à Obra da Imaculada Conceição e Santo António, em Caneças.
Durante muitos anos distribuía-se, semanalmente, dois grandes pães aos quais se acrescentou, há alguns anos, a quantia de cinco euros para prover a outras necessidades.
Procurando responder mais fielmente ao espírito de S. Francisco e S. António, e para ajudar os mais pobres , neste tempo de crise económica, desde o passado mês de Março, passamos a entregar aos mais pobres os Pães três vezes por semana, em vez de uma, estando em perspetiva juntamente com os pães se poder dar também alguns géneros alimentícios ou o que a generosidade dos nossos benfeitores o permitir.
 
Todos aqueles que puderem e quiserem ajudar esta nossa Obra de solidariedade, que cremos ser Obra de Deus e abençoada por Santo António, podem-no fazer através do seu donativo aqui na nossa Igreja ou por transferência bancária como se incida na última página deste Jornal.
 
DESDE JÁ AGRADECEMOS A TODOS QUANTOS DE UMA FORMA OU DE OUTRA SE TORNAM BENFEITORES DOS POBRES DE SANTO ANTÓNIO.
Na realidade, como acentua António de Sousa Araújo: "Pobres sempre os teremos. E de pão e da ajuda do Santo, todos nós continuaremos carecidos. Ninguém é mais feliz do que aquele que socorre a necessidade do pobre e a miséria do enfermo e do desamparado."
Carradas de razão, pois tinha o "nosso" Charrua ao cantar:
" No mundo a maior riqueza/ P'r'aquele que pensa bem/ É deitar o pão na mesa/ Daquele que o não tem."
 
Ó meu rico Santo António,
Deparai-me o que perdi:
A cevadeira de pão,
Que hoje inda não comi.
 
Santo António de Lisboa,
Guardador dos olivais;
Guarda lá minha azeitona
Do biquinho dos pardais.
 
Santo António é negrinho,
é negrinho c'má amora,
Quando vê moças bonitas,
Deita a linguinha de fora.
 
Santo António, meu santinho,
Ó santo casamenteiro,
Dai-me um noivo depressinho
Que seja bom marinheiro.
 
Ó meu rico Sant'António,
Meu ramo d'amor perfeito,
Trago o vosso nome escrito
Com letras d'ouro em meu peito.
 
As cantigas qu'eu sabia,
Todas o vento levou:
Só a de Santo António
No coração me ficou!